
Rodrigo Prado | Goiânia, 12 de Agosto de 2026
A defesa enfática que Daniel Vilela faz do legado de Iris Rezende chama atenção. Não pela admiração ao ex-governador e ex-prefeito, que é legítima e até natural para quem fez política dentro do MDB goiano, mas pela tentativa de se colocar como herdeiro de uma história que não foi construída por ele, chega a ser vergonhosa.

Daniel pode, sem dúvida, falar da escola política em que diz ter aprendido com Iris. Pode lembrar a convivência, os ensinamentos, a civilidade e a importância que o ex-governador teve para o MDB. Mas existe uma diferença entre reconhecer uma referência política e reivindicar para si uma herança que pertence a outra trajetória.
E, nesse ponto, é preciso fazer uma pergunta incômoda: quem tem, de fato, legitimidade para falar em herança de Iris Rezende? Insistir nisso é menosprezar a verdadeira herdeira, Ana Paula Rezende e chamar os apaixonados por Iris de idiotas.
Ana Paula Rezende, filha de Iris, é a pessoa que carrega o sobrenome, a memória familiar e a história construída dentro de casa. É ela quem pode falar, com a autoridade de filha, sobre os valores, princípios e ensinamentos deixados pelo pai.
Daniel Vilela também tem uma herança política para defender: e essa ninguém pode tirar dele. É a herança de Maguito Vilela, seu pai, um dos principais nomes levantados por Iris Rezende, na política goiana e uma liderança cuja trajetória ajudou a construir o próprio Daniel como político.
Por isso, quando Daniel afirma que não abre mão do legado de Iris e que foi formado na escola do ex-governador, fica uma sensação de que há uma tentativa de ocupar um espaço simbólico que não lhe pertence de forma alguma.
Iris Rezende não é apenas um capítulo da história do MDB, ele foi muito maior que o partido. Iris é uma marca própria na política de Goiás. Sua trajetória, seus votos, suas obras, sua relação com a população e sua maneira de fazer política não podem ser transferidas por autodeclaração.
Admirar Iris é uma coisa. Ser herdeiro de Iris é outra.
Daniel pode falar sobre a influência de Iris sobre sua formação política. Mas, se quiser falar de herança, talvez devesse começar pela que efetivamente lhe pertence: a de Maguito Vilela.
E é justamente por isso que a insistência em se apresentar como herdeiro do legado de Iris pode soar, para muitos, não como uma homenagem, mas como uma tentativa de colar em uma imagem que foi construída por décadas por outra pessoa.
Na política, sobrenome, convivência e partido podem aproximar histórias. Mas legado não se transfere por discurso. Legado se constrói, se vive e, principalmente, se reconhece por quem veio depois.
E nesse debate, Ana Paula Rezende tem algo que Daniel Vilela jamais terá: é filha de Iris Rezende.











