
Rodrigo Prado | Goiânia 05 de Agosto de 2026
Ontem escrevi que, caso o ex-senador Luiz do Carmo fosse realmente preterido na composição da chapa de Daniel Vilela, haveria um forte desgaste junto ao segmento evangélico, especialmente com a liderança do Bispo Oides do Carmo e da Convenção Estadual das Assembleias de Deus Madureira em Goiás.
Hoje, com a confirmação de Luiz do Carmo como candidato a vice-governador, o cenário mudou completamente. Na minha avaliação, a escolha demonstra que o grupo político percebeu o peso político e eleitoral de Luiz do Carmo e a importância do diálogo com um dos maiores segmentos religiosos do estado. Se houve resistência à sua indicação em algum momento, ela foi superada por uma decisão que privilegia a construção política e amplia a capilaridade da chapa.

Entretanto, a confirmação de última hora não apaga o desgaste provocado durante todo o processo de definição da chapa. Na política, o tempo também comunica, e a demora em consolidar uma decisão gera dúvidas, desconfortos e deixa cicatrizes.
Minha percepção é de que parte desse desgaste é irreversível. Não sei se o Bispo Oides do Carmo conseguirá manter todos os ministérios ligados à Convenção Estadual das Assembleias de Deus Madureira unidos em torno do projeto de Daniel Vilela e da candidatura de Gracinha Caiado ao Senado. Ainda que a escolha de Luiz do Carmo tenha evitado uma crise maior, algumas lideranças podem entender que a condução das negociações revelou hesitação e falta de prestígio político.
O texto que publiquei ontem refletia uma análise sobre o cenário existente naquele momento, quando a indicação de outro nome era tratada como provável por diferentes informações que circulavam nos bastidores. Com a oficialização de Luiz do Carmo, a realidade é outra, mas isso não significa que os efeitos do processo tenham desaparecido.
Política não é feita apenas de decisões. É feita de gestos, sinais e da forma como cada decisão é construída. E, muitas vezes, o desgaste acontece antes mesmo do anúncio oficial.











