
Rodrigo Prado | Goiânia, 28 de Fevereiro de 2026
Li no O Popular o artigo em que Ana Paula Rezende afirma que o MDB de hoje não é mais o MDB de Iris Rezende. E eu concordo.
Concordo porque vivi, acompanhei e testemunhei o que representava o MDB sob a liderança de Iris. Não era apenas um partido político; era um instrumento de construção, de presença popular, de compromisso com as bases. Era o partido do mutirão, do corpo a corpo, da política feita olhando no olho. Era um projeto coletivo.

Hoje, o que vemos é outra coisa.
Não se trata de nostalgia. Trata-se de identidade. O MDB que Iris ajudou a consolidar tinha direção, tinha propósito e tinha coerência. Ele formava lideranças, não apenas negociava espaços. Ele tinha lado — o lado do povo que precisava de escola, asfalto, hospital e dignidade.
Quando Ana Paula diz que o partido mudou, ela não fala apenas como filha. Ela fala como alguém que conhece por dentro a essência daquele projeto político. E é impossível ignorar que muitos dos que hoje comandam o MDB não carregam a mesma linha de atuação, nem a mesma visão de compromisso com a base popular.
Partidos mudam, é verdade. Lideranças se renovam. Mas existe uma diferença entre evolução e descaracterização. Quando o partido deixa de refletir os valores que o tornaram grande, ele deixa de ser reconhecido por aqueles que ajudaram a construí-lo.
A decisão dela de buscar outro caminho político, hoje no Partido Liberal, ao lado do senador Wilder Morais, pode ser discutida sob vários ângulos. Mas uma coisa é inegável: ela tem legitimidade para falar sobre o legado de Iris. E quando afirma que o MDB atual não é mais o mesmo, ela levanta um debate necessário.
O irismo sempre foi mais que uma sigla. Foi uma prática política. Foi uma forma de governar. Foi presença nas periferias, nas obras, nas demandas populares.
Se o MDB quiser continuar evocando o nome de Iris, precisa mais do que memória — precisa de coerência com aquilo que ele representou.
Eu concordo com Ana Paula porque acredito que legado não é discurso, é prática. E quando a prática muda, a identidade também muda.
É preciso coragem para dizer isso. E mais coragem ainda para reconstruir o que foi perdido.










